Desfazendo mitos: a mudança climática está em alta — conheça os fatos

A mudança climática está em alta, e mitos e informações falsas circulam por toda parte. Conheça aqui alguns fatos essenciais. Compartilhe, use e converse sobre eles para ajudar a combater a desinformação e apoiar ações urgentes.

Foto: UN News/Laura Quiñones

FATO: A mudança climática está acontecendo

A mudança climática já afeta todas as regiões da Terra. Alterações nos padrões de chuva, elevação do nível do mar, derretimento de geleiras, aquecimento dos oceanos e eventos climáticos extremos mais frequentes e intensos são apenas algumas das mudanças que já afetam milhões de pessoas. (IPCC) (abre em uma nova aba)

A mudança climática pode afetar nossa saúde, nossa capacidade de produzir alimentos, nossas moradias, nossa segurança e nosso trabalho. Algumas pessoas estão mais vulneráveis aos impactos climáticos, como quem vive em pequenos países insulares em desenvolvimento. Ameaças como a elevação do nível do mar e a intrusão de água salgada já avançaram tanto que comunidades inteiras tiveram de se mudar. A expectativa é que, no futuro, aumente o número de pessoas deslocadas por causa da mudança climática.

As mudanças no clima são generalizadas, rápidas e estão se intensificando. Algumas delas, como a elevação do nível do mar e o derretimento das calotas de gelo, são irreversíveis por centenas ou milhares de anos. (IPCC) (abre em uma nova aba)


FATO: A mudança climática é causada pela atividade humana

Mudanças naturais na atividade solar ou grandes erupções vulcânicas causaram alterações antigas nas temperaturas e nos padrões climáticos da Terra. Mas, nos últimos 200 anos, essas causas naturais não afetaram significativamente as temperaturas globais. Hoje, a mudança climática é causada pelas atividades humanas, principalmente pela queima de combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás. (IPCC) (abre em uma nova aba)

A queima de combustíveis fósseis cria uma camada de poluição que retém o calor do sol na Terra e eleva as temperaturas globais. (O aquecimento global, por sua vez, provoca outras mudanças, como secas, escassez de água, incêndios graves, elevação do nível do mar, inundações, derretimento do gelo polar, tempestades intensas e perda de biodiversidade.)

Quanto mais poluentes, como o dióxido de carbono (CO2), se acumulam na atmosfera, mais calor do sol fica retido e mais a Terra esquenta. Há uma forte relação entre as emissões acumuladas de CO2 e o aumento da temperatura média da superfície global. (IPCC) (abre em uma nova aba)

A quantidade de CO2 na atmosfera vem aumentando em ritmo sem precedentes desde a Revolução Industrial, quando o trabalho manual começou a ser substituído por máquinas movidas a carvão, petróleo e gás. Hoje, a concentração de CO2 na atmosfera é cerca de 50% maior que em 1750, muito acima das variações naturais dos últimos 800.000 anos, no mínimo. (IPCC) (abre em uma nova aba)

Ilustração: UN DGC

Vídeo: IPCC

FATO: Os cientistas concordam que os seres humanos são responsáveis pela mudança climática

Vários estudos independentes realizados nos últimos 19 anos concluíram que entre 90% e 100% dos cientistas concordam que os seres humanos são responsáveis pela mudança climática. A maioria dos estudos aponta um consenso de 97%.

Um estudo de 2021 (abre em uma nova aba) encontrou um consenso superior a 99% sobre a mudança climática causada pelos seres humanos na literatura científica revisada por pares (avaliada por especialistas da mesma área antes da publicação) — um nível de certeza semelhante ao da teoria da evolução.

O Relatório Síntese do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (abre em uma nova aba) (IPCC), publicado em março de 2023, confirmou de forma categórica que a atividade humana é a causa amplamente predominante da mudança climática. As avaliações abrangentes do IPCC são elaboradas por centenas de cientistas de destaque do mundo todo, com contribuições de milhares de especialistas, e aprovadas pelos governos de todos os países.


FATO: Cada fração de grau de aquecimento faz diferença

Mudanças naturais na atividade solar ou grandes erupções vulcânicas causaram alterações antigas nas temperaturas e nos padrões climáticos da Terra. Mas, nos últimos 200 anos, essas causas naturais não afetaram significativamente as temperaturas globais. Hoje, a mudança climática é causada pelas atividades humanas, principalmente pela queima de combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás. (IPCC) (abre em uma nova aba)

A queima de combustíveis fósseis cria uma camada de poluição que retém o calor do sol na Terra e eleva as temperaturas globais. (O aquecimento global, por sua vez, provoca outras mudanças, como secas, escassez de água, incêndios graves, elevação do nível do mar, inundações, derretimento do gelo polar, tempestades intensas e perda de biodiversidade.)

Quanto mais poluentes, como o dióxido de carbono (CO2), se acumulam na atmosfera, mais calor do sol fica retido e mais a Terra esquenta. Há uma forte relação entre as emissões acumuladas de CO2 e o aumento da temperatura média da superfície global. (IPCC) (abre em uma nova aba)

A quantidade de CO2 na atmosfera vem aumentando em ritmo sem precedentes desde a Revolução Industrial, quando o trabalho manual começou a ser substituído por máquinas movidas a carvão, petróleo e gás. Hoje, a concentração de CO2 na atmosfera é cerca de 50% maior que em 1750, muito acima das variações naturais dos últimos 800.000 anos, no mínimo. (IPCC) (abre em uma nova aba)

Gráfico: UNFCCC

Vídeo: IPCC

FATO: O clima está mudando mais rápido do que os seres humanos, as plantas e os animais conseguem se adaptar

Se as temperaturas globais continuarem subindo, será cada vez mais difícil se adaptar à mudança climática, especialmente para os países mais pobres. Uma pequena ilha, por exemplo, pode se tornar inabitável por causa da elevação do nível do mar e da falta de água doce suficiente. Nesse caso, os moradores talvez não tenham outra opção a não ser abandonar suas casas. (IPCC) (abre em uma nova aba)

A adaptação, por si só, não consegue acompanhar os impactos da mudança climática. Ela é fundamental para salvar vidas e meios de subsistência, mas a capacidade humana de se adaptar à mudança climática tem limites. (Insights) (abre em uma nova aba)

A elevação do nível do mar, que submerge comunidades costeiras, e ondas de calor extremas, insuportáveis para o corpo humano, são exemplos de limites “intransponíveis” à nossa capacidade de adaptação. (UNFCCC) (abre em uma nova aba)

Com o aumento do aquecimento global, as perdas e os danos vão crescer, e mais sistemas humanos e naturais chegarão ao limite de sua capacidade de adaptação. Muitas espécies e ecossistemas já estão perto ou além desses limites. (IPCC) (abre em uma nova aba)


FATO: A mudança climática é uma grande ameaça à saúde das pessoas

Os impactos da mudança climática prejudicam a saúde humana por meio da poluição do ar, de doenças, de eventos climáticos extremos, do deslocamento forçado, da insegurança alimentar e de danos à saúde mental. E só vão piorar a cada fração de grau de aquecimento. (WHO) (abre em uma nova aba)

A principal causa da mudança climática — a queima de carvão, petróleo e gás — também provoca poluição do ar, que pode causar doenças respiratórias, derrames e ataques cardíacos. Atualmente, mais de 8,7 milhões de pessoas morrem todos os anos por causa da poluição do ar externo. (REN21) (abre em uma nova aba)

Substituir usinas movidas a combustíveis fósseis por fontes renováveis, como parques eólicos e solares, trará grandes benefícios à saúde humana. Turbinas eólicas e painéis solares não liberam emissões que poluem o ar ou causam o aquecimento global. (REN21) (abre em uma nova aba)

Ilustração: UN DGC

Gráfico: UN DGC

FATO: O gás natural é um combustível fóssil, não uma fonte de energia limpa

O gás natural é um combustível fóssil, assim como o petróleo e o carvão. Ele se formou a partir de restos de plantas, animais e microrganismos que viveram há milhões de anos. Quando queimado, libera poluição de carbono na atmosfera.

Em 2020, a queima de gás natural foi responsável por 22% das emissões globais de carbono provenientes da combustão de combustíveis (pouco abaixo do petróleo, com 32%, e do carvão, com 45%). (IEA) (abre em uma nova aba)

Além disso, a extração e o transporte de gás natural muitas vezes liberam metano — um potente gás de efeito estufa — na atmosfera. A produção de gás natural foi responsável pela emissão de 40 milhões de toneladas de metano em 2021, aproximadamente a mesma quantidade emitida pela indústria do petróleo. (IEA) (abre em uma nova aba) (O metano é cerca de 84 vezes mais potente que o CO2 quando medido ao longo de um período de 20 anos.) (UNEP) (abre em uma nova aba)


FATO: Tecnologias de energia limpa geram muito menos poluição de carbono do que os combustíveis fósseis

As tecnologias de energia limpa — de turbinas eólicas e painéis solares a veículos elétricos e armazenamento em baterias — exigem diversos minerais e metais (IEA) (abre em uma nova aba) e também geram algumas emissões, mas ainda assim muito menos do que os combustíveis fósseis. (IEA) (abre em uma nova aba)

Os painéis solares fabricados hoje precisam funcionar por apenas 4-8 meses para compensar as emissões geradas em sua fabricação (e um painel solar dura, em média, cerca de 25-30 anos). (IEA) (abre em uma nova aba). De forma semelhante, as turbinas eólicas levam apenas cerca de 7 meses para produzir eletricidade limpa suficiente para compensar a poluição de carbono gerada durante sua fabricação (e costumam durar de 20 a 25 anos). (ScienceDirect) (abre em uma nova aba)

A maior parte da poluição de carbono gerada ao longo da vida útil de uma turbina eólica ocorre durante sua fabricação. Depois de instalada e em funcionamento, ela quase não gera poluição. Já uma usina a carvão ou a gás natural queima combustível — e libera dióxido de carbono — durante todo o tempo em que está em funcionamento. (Yale) (abre em uma nova aba)

Até a turbina eólica com maior intensidade de carbono gera muito menos emissões por quilowatt-hora de eletricidade produzida do que qualquer usina a carvão ou a gás natural. (Usinas a carvão emitem de 675 a 1.689 gramas de CO2 por quilowatt-hora, enquanto usinas a gás natural emitem de 437 a 758 gramas — muito mais do que as usinas eólicas em terra e no mar, que emitem, em média, 15 e 12 gramas (UNECE) (abre em uma nova aba), ou mesmo do que a turbina eólica com maior intensidade de carbono, que emite 25,5 gramas.) (Yale) (abre em uma nova aba)

Ao longo de todo o ciclo de vida, da fabricação ao descarte, os veículos elétricos geram cerca de metade das emissões de carbono de um carro médio com motor a combustão interna. Com eletricidade de baixo carbono, essa redução pode chegar a mais 25%. (IEA) (abre em uma nova aba)

Ilustração: UN DGC

Foto: parque eólico marítimo de Middelgruden, na Dinamarca. UN Photo/Eskinder Debebe

FATO: Países inteiros já dependem 100% de eletricidade renovável

Costa Rica, Dinamarca, Noruega, Islândia, Paraguai e Uruguai abastecem suas redes elétricas com energia hidrelétrica, geotérmica, eólica e solar. (REN21) (abre em uma nova aba)

Algumas províncias e estados também usam eletricidade 100% renovável: Austrália do Sul, Havaí (EUA), Quebec (Canadá) e Qinghai (China), além das ilhas de Ta’u (Samoa Americana), Eigg (Escócia), El Hierro (Espanha), Graciosa (Portugal) e King Island (Austrália). (REN21) (abre em uma nova aba)

Dinamarca, Escócia, Austrália do Sul e Havaí já atenderam a mais de 100% da demanda total de eletricidade com energia eólica e solar, e alguns desses lugares exportam o excedente. (REN21) (abre em uma nova aba)

Outras regiões geraram excedente de eletricidade com energia hidrelétrica: Paraguai e Quebec exportam o excedente. (REN21) (abre em uma nova aba)

OBSERVAÇÃO: Não há exemplos de sistemas de energia totalmente renovável que abranjam os setores de eletricidade, aquecimento, refrigeração e transporte (os exemplos acima cobrem apenas a eletricidade). As bases para esses sistemas estão sendo estabelecidas, incluindo as tecnologias, a infraestrutura e os mercados. (REN21) (abre em uma nova aba)


FATO: Em breve, a energia renovável será a principal fonte de eletricidade do mundo

As fontes de energia renovável — como água, energia geotérmica, eólica e solar — estão disponíveis em todos os países, e seu potencial ainda não foi plenamente aproveitado.

Hoje, quase 30% da eletricidade global vem de fontes renováveis. (IEA) (abre em uma nova aba)

Até 2050, 90% da eletricidade do mundo pode e deve vir de fontes renováveis. (IRENA) (abre em uma nova aba)

Nos próximos 5 anos, o mundo deve adicionar tanta capacidade de energia renovável quanto adicionou nos últimos 20. (IEA) (abre em uma nova aba)

A previsão é que as fontes renováveis se tornem a maior fonte de geração de eletricidade do mundo até o início de 2025, superando o carvão. (IEA) (abre em uma nova aba)

Em muitas regiões, as fontes renováveis são as que mais crescem entre as fontes de energia. (IEA) (abre em uma nova aba)

Gráfico: Carbon Brief

Gráfico: UN DGC

FATO: A energia renovável é mais barata que os combustíveis fósseis

Na maior parte do mundo, a eletricidade de novas usinas de energia renovável, como parques eólicos ou solares, já custa menos do que a energia gerada por novas usinas de combustíveis fósseis. (IRENA) (abre em uma nova aba)

Novos projetos eólicos em terra e solares custam cerca de 40% menos do que construir usinas a carvão ou a gás do zero — e essa diferença está aumentando. (BloombergNEF) (abre em uma nova aba)

Desde 2010, o mundo passou por uma grande mudança na competitividade das fontes de energia renovável: a energia solar teve a maior queda de custos, com os custos de novos projetos de grande escala caindo 88% no mundo todo entre 2010 e 2021 — em grande parte graças à contínua melhoria das tecnologias, aos ganhos de escala e à redução dos custos de financiamento de usinas eólicas e solares. Desde 2010, o custo da energia eólica em terra caiu 68%, e o da energia eólica no mar, 60%. (IRENA) (abre em uma nova aba)


FATO: Painéis solares e turbinas eólicas aproveitam bem o espaço

Todas as fontes de energia precisam de espaço: da área usada para minerar carvão ao terreno ocupado por uma usina.

Parques eólicos precisam de bastante espaço, mas uma mina de carvão é usada uma única vez, enquanto um parque eólico continua gerando energia ano após ano. Com o tempo, um hectare de parque eólico ou solar pode gerar mais eletricidade do que um hectare de minas de carvão ou urânio.

Áreas usadas para parques solares e eólicos podem ter “uso duplo”: servir ao mesmo tempo para produzir energia e para a agricultura. Depois de construídos, esses parques têm tão pouco impacto no terreno que é cada vez mais comum permitir o pastoreio e o cultivo na mesma área.

Os painéis solares não precisam ser instalados diretamente no chão. Eles podem ser colocados em estruturas já existentes, como telhados, estradas e coberturas de estacionamentos, sobre canais e em terras agrícolas, além de flutuar em lagos e lagoas.

No Sudeste Asiático e na África, onde projetos solares costumam disputar espaço com terras agrícolas, a “agrovoltaica” e a “flutuovoltaica” permitem usar terras agrícolas e corpos d’água em conjunto com painéis solares, sem comprometer os recursos de água e alimentos. (REN21) (abre em uma nova aba)

Parques solares também podem ser instalados em terrenos que não servem para outros usos: desertos, aterros sanitários, antigas minas de carvão ou áreas contaminadas (hoje há uma usina solar em Chernobyl).

Os painéis solares podem ser instalados em qualquer lugar da Terra, porque o sol brilha em toda parte. Nenhum outro tipo de geração de eletricidade oferece essa flexibilidade.

Foto: PNUD Camboja

Foto: PNUD DGC

FATO: A transição para a energia limpa vai criar milhões de empregos

A transição para emissões líquidas zero (deixando os combustíveis fósseis e adotando fontes de energia limpa) deve aumentar o número total de empregos no setor de energia: cerca de 5 milhões de empregos na produção de combustíveis fósseis podem desaparecer até 2030, mas estima-se que 14 milhões de novos empregos sejam criados em energia limpa, resultando em um saldo positivo de 9 milhões de empregos no mundo. (IEA) (abre em uma nova aba)

Esse número continuou crescendo no mundo todo na última década, com a maioria dos empregos nos setores de energia solar fotovoltaica, bioenergia, hidrelétrica e eólica. (IRENA) (abre em uma nova aba). Em 2022, o setor de energia renovável empregava 12,7 milhões de pessoas, direta e indiretamente, ante cerca de 7,3 milhões em 2012. (IRENA) (abre em uma nova aba)

É provável que dezenas de milhões de empregos adicionais sejam criados nas próximas décadas, à medida que os investimentos e a capacidade instalada aumentarem. Até 2050, espera-se que o setor de energia renovável empregue pelo menos 42 milhões de pessoas. Medidas de eficiência energética criariam mais 21 milhões de empregos, e a flexibilidade do sistema, outros 15 milhões. (IRENA) (abre em uma nova aba)

Cada dólar investido em fontes renováveis gera três vezes mais empregos do que na indústria de combustíveis fósseis. (SG) (abre em uma nova aba)


FATO: Países inteiros já dependem 100% de eletricidade renovável

As escolhas que fazemos hoje vão determinar as mudanças climáticas que viveremos no futuro. (IPCC) (abre em uma nova aba)

Reduções grandes e contínuas nas emissões de dióxido de carbono e de outros gases de efeito estufa limitariam a mudança climática. (IPCC) (abre em uma nova aba)

Se agirmos agora, podemos limitar a mudança climática e preservar um planeta habitável.

Temos o conhecimento, as ferramentas e os recursos necessários para garantir um futuro sustentável e habitável para todas as pessoas.

Foto: PNUD DGC