Temos ao nosso alcance soluções para agir pelo clima. Agora, precisamos agir e mudar comportamentos em larga escala. Como quem comunica pode impulsionar essa mudança? Uma resposta é oferecer esperança.
Às vezes, a esperança parece escassa — especialmente quando se trata da crise climática. Mas não precisa ser assim: sabemos o que fazer para garantir um planeta habitável às próximas gerações. Agora, cabe a nós defender a mudança.

No fundo, esta é uma batalha pelos fatos. E enfrentamos adversários formidáveis. Há décadas, a indústria dos combustíveis fósseis investe bilhões em um exército de lobistas, agências de publicidade e relações públicas para usar narrativas enganosas e desviar a atenção da ação climática.
Precisamos reagir com urgência. (abre em uma nova aba) Como comunicadores da causa climática, não temos como gastar mais que a indústria dos combustíveis fósseis. Mas podemos contar histórias melhores. Precisamos redobrar nossos esforços para tornar a energia renovável mais atraente e acessível aos olhos do público, além de mais resistente às reações contrárias.
Mas como fazer isso quando tantas pessoas sobrecarregadas estão deixando de prestar atenção — em parte por pessimismo em relação ao futuro? É aí que entra o Verificado pelo Clima, uma iniciativa do Departamento de Comunicação Global das Nações Unidas e da agência de impacto social Purpose.
Nossas campanhas, como O futuro agradece, apresentam mensagens de esperança para combater a apatia sem recorrer ao medo, à culpa ou à vergonha. Em vez de mostrar desafios que parecem intransponíveis, destacamos soluções e convidamos as pessoas a imaginar um futuro melhor — promissor e possível.
“As pessoas querem se sentir envolvidas em uma versão do próprio futuro”, disse Jeremy Heimans, cofundador e presidente da Purpose, em nosso evento (abre em uma nova aba) na Zona de Mídia dos ODS das Nações Unidas. “E elas não começam pelo clima… começam pelo que querem como seres humanos e pensam em um cenário muito mais amplo.”
Nosso foco na esperança em relação ao futuro é apenas uma entre muitas abordagens. Recentemente, o Verificado pelo Clima reuniu diversos contadores de histórias e líderes nos eventos paralelos à Assembleia Geral das Nações Unidas para discutir os próximos passos e explorar como construir um movimento forte por uma ação climática transformadora.
Nossas conversas, realizadas em Nova York nos dias 25 e 26 de setembro, revelaram muitos pontos em comum, entre eles o reconhecimento de que precisamos mudar de estratégia. Muitos acreditavam que, quando a crise climática chegasse, as pessoas cobrariam ação de seus líderes de forma irresistível — mas isso não aconteceu.
“O sistema político não está reagindo”, disse à nossa mesa-redonda do Verificado pelo Clima o renomado cientista climático Bill Hare, da Climate Analytics (abre em uma nova aba). “Isso serve de alerta para todos nós… de alguma forma, não estamos fazendo a coisa certa.”

Nossa conversa também mostrou um amplo consenso sobre a importância de dar destaque a quem está na linha de frente das mudanças climáticas — tanto às vítimas quanto às pessoas inovadoras. Um dos pontos foi a necessidade de dar mais espaço e força às vozes de quem — especialmente no Sul Global — já sente os impactos mais graves das mudanças climáticas, mas contribuiu menos para o problema.
“Vamos começar a dar recursos a grupos comunitários locais para que possam contar suas próprias histórias e começar a construir narrativas a partir das bases, para gerar mais impacto na ação climática”, disse Makeeba Browne, chefe de Equidade, Justiça e Cultura da ClimateWorks Foundation (abre em uma nova aba).

Os participantes concordaram que celebrar e aproveitar soluções criativas nas comunidades afetadas será essencial para essa estratégia. Histórias contadas pelas comunidades à sua própria maneira têm maior alcance e tocam as pessoas em nível pessoal, emocional e cultural — uma tática que agentes mal-intencionados aprenderam a explorar muito bem.
Reconhecer esse apelo emocional também é essencial para entender por que pessoas com medo se sentem atraídas por teorias da conspiração que culpam a ação climática por todos os problemas da sociedade, disse Jennie King, diretora de Pesquisa e Políticas sobre Desinformação Climática do Institute for Strategic Dialogue (abre em uma nova aba).
“Precisamos mudar nossas estratégias, descobrir como nos aproximar dessas comunidades e como criar mensagens convincentes que cheguem até essas pessoas”, disse ela à mesa-redonda, em um chamado à ação que empolgou os participantes.

Acima de tudo, nossos eventos mostraram a força da colaboração. Por isso, na preparação para a COP29 (abre em uma nova aba) e depois dela, o Verificado pelo Clima continuará espalhando esperança e construindo uma ampla coalizão de vozes. Juntos, podemos vencer a disputa de narrativas sobre o clima. Esperamos que você se junte a nós.